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O Lavador de Vidros e o Multimilionário: A Mentalidade que Não Mudou e as que Tiveram que Mudar
Decisões Financeiras

O Lavador de Vidros e o Multimilionário: A Mentalidade que Não Mudou e as que Tiveram que Mudar

Roberto Navarro
6 de fevereiro de 2026
Uma reflexão em primeira pessoa sobre quais valores fundamentais permaneceram e quais crenças precisaram ser transformadas na trajetória de Roberto.

Durante muito tempo, a imagem que as pessoas tinham de mim era simples: um lavador de vidros tentando sobreviver, fazendo o que dava para pagar as contas e seguir em frente. Anos depois, essa mesma pessoa passou a ser chamada de multimilionário, como se o dinheiro tivesse mudado tudo, como se eu tivesse me tornado alguém completamente diferente. Mas a verdade é mais profunda e mais honesta do que isso. Algumas coisas precisaram mudar radicalmente para que o dinheiro chegasse. Outras, curiosamente, precisaram permanecer exatamente iguais para que ele não fosse embora.

O que nunca mudou foi a disposição de trabalhar, de assumir responsabilidade e de não terceirizar a culpa. Mesmo nos momentos mais difíceis, quando o dinheiro não dava e as escolhas pareciam limitadas, eu sabia que a minha vida financeira era responsabilidade minha. Essa mentalidade não nasceu com riqueza, ela nasceu com necessidade. Foi ela que me manteve em movimento quando seria mais fácil desistir ou aceitar que “era isso mesmo”.

Também nunca mudou a fome de aprender. Quando eu não tinha dinheiro, eu investia tempo. Observava pessoas, estudava comportamentos, tentava entender por que alguns prosperavam enquanto outros, mesmo trabalhando duro, continuavam presos no mesmo lugar. Essa curiosidade foi um ativo silencioso que me acompanhou do início ao topo. O dinheiro veio depois, mas a mentalidade de aprendiz sempre esteve ali.

O que precisou mudar, e mudou de forma profunda, foi a relação emocional com o dinheiro. Em algum momento, eu precisei abandonar a ideia de que ganhar mais significava automaticamente perder valores ou se tornar alguém ganancioso. Precisei entender que dinheiro não corrompe caráter, ele amplifica. Se você é desorganizado, ele amplifica o caos. Se você é consciente, ele amplia o impacto. Essa virada foi essencial para permitir que eu crescesse sem sabotagem interna.

Outra crença que precisei deixar para trás foi a de que esforço físico e sofrimento eram os únicos caminhos legítimos para ganhar dinheiro. Enquanto eu acreditava que só valia o que era difícil, pesado e exaustivo, eu limitava meu crescimento. O dinheiro começou a mudar de patamar quando eu entendi que inteligência, estratégia e escala valem tanto quanto suor, e muitas vezes valem mais. Trabalhar duro é importante, mas trabalhar certo muda tudo.

Também precisei mudar a forma como eu me via. Enquanto eu me enxergava apenas como alguém tentando sobreviver, minhas decisões eram pequenas, defensivas e focadas no curto prazo. Quando passei a me ver como alguém capaz de construir, ensinar e liderar, minhas escolhas se expandiram. O dinheiro acompanha identidade. Ele cresce quando você cresce por dentro.

O lavador de vidros e o multimilionário não são opostos. Eles fazem parte da mesma história. Um construiu a base de valores como responsabilidade, disciplina e humildade. O outro precisou aprender visão, mentalidade de abundância e inteligência financeira. O erro seria tentar apagar um para justificar o outro. A verdadeira evolução acontece quando você honra de onde veio, mas não permite que isso limite para onde pode ir.

No fim, o que mudou não foi quem eu sou, mas o que eu acreditava ser possível. E isso faz toda a diferença. Porque quando a mentalidade certa encontra ação consistente, o dinheiro deixa de ser um fim e passa a ser consequência.